A democracia interna do PT é um dos valores mais festejados entre os militantes. O nosso é o único partido brasileiro que adota uma forma direta de escolha de seus dirigentes, como também é o único que exerce, de fato, as prévias como instituto de escolha de candidatos a cargos majoritários, quando são esgotados todos os meios de acordos internos.
Neste PED, o debate está indo além da escolha dos próximos dirigentes. Aqui em Minas o meio de campo embolou, misturando temas inerentemente partidários, com a disputa interna para quem será o candidato a governador.
E isso é legítimo, uma vez que a escolha do próximo presidente aponta para certa preferência dos militantes a um determinado grupo político. Daí a necessidade de se ter bom senso e maturidade política na discussão de quem será nosso candidato a governador.
Diferentemente de como alguns pensam, as prévias partidárias é uma exceção à regra, não é um instituto que necessariamente deve ocorrer. As prévias são o ultimo recurso para a escolha do candidato, realizadas dado ao fato de não ser possível um acordo político que contemple os dirigentes e/ou as tendências internas.
Todo cuidado é necessário, pois optando pelas prévias, corremos o risco de termos um partido engolido pela luta fratricida, aprofundando diferenças, e impondo ao outro uma derrota. E não podermos ser hipócritas: quem perde, faz corpo mole na campanha. Infelizmente o ser humano é assim, quando sua tese é derrotada, joga no colo de quem ganhou a responsabilidade de conduzir o processo.
Um exemplo disso foi a candidatura de Virgilio Guimarães à prefeitura de BH, em 1996, ocasião em que a Velha Articulação, que defendeu a tese da candidatura de Célio de Castro, perdeu internamente (sem prévias, aliás) e apoiou o candidato do PSB, abandonando o candidato petista. Esse é um bom exemplo do que acontece quando a disputa é fratricida e levada aos extremos.
Muitos estão criticando Fernando Pimentel por ter declarado ser contrário à realização de prévias em Minas. Penso que ele está demonstrando bom senso, já que temos uma oportunidade ímpar para se chegar ao Palácio da Liberdade. Na atual conjuntura, a realização de prévias será o aprofundamento desnecessário de um racha partidário que se dá na polarização dos candidatos Gleber e Reginaldo.
Talvez o Carlão desconheça, mas prévias partidárias são obrigatórias no sistema eleitoral oficial dos Estados Unidos, que não importa se é boa (ou ruim) para o Obama, é requisito estatal. No caso do Aécio, bem, problema dele...
Espero que o bom senso prevaleça, que haja juízo e ousadia para se definir quem será nosso candidato a governador, através do diálogo, na construção de um acordo que contemple as mais diversas correntes internas. Do contrário, que venham as prévias...
*Jair Santos, 37 anos, assessor parlamentar e estudante de direito da FADIPEL.
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