Que venham os debates

terça-feira, 18 de agosto de 2009 by , under

*Jair Santos

O clima do PED já é quente. Nessas movimentações preliminares estamos vendo os dois principais candidatos, Gleber e Reginaldo, defendendo suas posições com os seus estilos próprios. O primeiro, Gleber, prefere o ataque pelos blogs, além dos encontros, que a velha Articulação realiza; o segundo, Reginaldo, da nova Articulação Democrática, está bem mineiro, conversando e dialogando, sem ataques, apenas mostrando tudo que já realizou nesse curto mandato de presidente do PT e sinalizando como pode contribuir para um partido ainda maior e melhor nos próximos 30 anos.

O problema dessa fase preliminar é que cada um faz seu discurso sem o devido contraponto. Cada um apresenta sua verdade. O ruim disso é que às vezes as verdades são muito pessoais, que acabam distorcendo os fatos, e, por conseguinte a história construída. É versão, não verdade. É pilhagem histórica quando se omite fatos ou mesmo apresenta apenas aquilo que é conveniente, isto é, fala-se pelas metades.

Nesta seara, a velha Articulação está se tornando mestra. Mestra em distorcer fatos e em construir versões que lhe são convenientes. E o engraçado é que só conseguem martelar na questão da eleição para prefeito em BH, a ponto de distorcerem os fatos de tal forma que ninguém mais acredita. A verdade é que todos sabem que Reginaldo foi favorável a candidato próprio do PT em BH e conduziu no Diretório Estadual, de forma republicana, as decisões sobre a questão.

O problema é que a velha Articulação não consegue conviver com a democracia. Qualquer um que ouse discordar dos cardeais dessa corrente interna corre o risco de ser banido dela mesma, e se brincar, do PT também. Para essa velha corrente o presidente do PT deve se ajoelhar aos seus objetivos e decisões. Esquece-se que o Presidente do PT é do PT e não de uma corrente, que é uma célula dentro do partido.

Na contramão desse pensamento excludente, Reginaldo Lopes, da nova Articulação Democrática, conduz o partido de forma democrática e republicana, respeitando o direito de voz de todos que congregam o PT. Percebe-se então, que neste sentido, Gleber e Reginaldo estão diametralmente opostos. Gleber quer ser Presidente do PT para servir a alguns, enquanto que Reginaldo quer continuar Presidente para continuar servindo a todos.

Para melhor filtrar as informações que recebemos pelos blogs, e-mails e encontros, importante se faz a realização dos debates, que serão muitos durante a campanha oficial do PED. Neste momento, as versões distorcidas dos fatos serão derrubadas e o candidato deverá se revelar, naquilo que se propõe e na sinceridade que se expõe. É aí que a porca torce o rabo.
Durante os debates vamos ver quem é que quer que o Partido continue a crescer; quem é que quer a continuação da interiorização partidária; quem é que entende que BH é importante, mas que existem outros 852 municípios no Estado; e quem é que se preocupa com o PT para os próximos 30 anos.
Entre falácias e acusações, a velha Articulação tenta construir sua plataforma, entretanto, esconde sua própria história, de presidentes pouco efetivos e pouco preocupados com o PT no âmbito estadual. Tanto isso é fato, que basta lembramos como foram várias eleições para prefeitos e para vereadores: além da maioria nunca ter tido apoio da direção Estadual, teve ainda que engolir, depois da eleição, o discurso de que suas vitórias foram frutos da construção partidária. E aí eu pergunto: que construção?
Mas isso tudo será alvo nos debates, momento propício para que o militante, em suas Regiões, possa sabatinar os candidatos, olho no olho, de bate pronto. Que venham os debates!

* Jair Santos, 37 anos, assessor parlamentar, Secretário de Formação do PT em Pedro Leopoldo e estudante de Direito da FADIPEL.

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